Fim de tarde...

Chego à estação de metro e percorro o corredor até ao sitio onde costumo para, por saber que a porta do comboio parará mais ou menos ali, no sitio onde eu quero sair.
Enquanto me dirijo para o sítio pré-definido, reparo em duas mulheres jovens, na casa dos vinte e poucos que falam sentadas num banco lateral. Não ouço de que falam, e para ser sincero nem me interessa, mas algo me chama a atenção nelas. Há uma atenção genuína, mais do que ao que a outra diz, à outra em si.
Chego ao tal sitio e fico ali, à espera da composição, de costas para elas e os meus pensamentos passam a ser absorvidos pela observação dos outros que esperam apanhar o metro na direcção oposta e, ocasionalmente, nos placares publicitários.
O metros chega, há uma pequena confusão causada pelos apressados do costume que teimam entrar antes dos que lá estão dentro saírem, não conseguindo perceber um conceito tão simples…
Entramos, eu fico de pé, encostado à porta oposta à que usei para entrar, e elas sentam-se num banco e continuam a conversar. Durante a conversa olham-se cada vez mais profundamente, completamente alheias ao que as rodeia, há pequenos toques, mas a conversa não para.
Chegamos ao fim da linha, no cais do sodre. Saio à frente delas e sigo o meu caminho, com calma, enrolando o cigarro de fim-de-trabalho-tenho-de-esperar-meia-hora-pelo-barco que espero acender assim que sair da gare de comboios e começar a atravessar a rua até ao cais fluvial. Assim faço, atravesso a rua e fico encostado à parede do outro lado, adiando a minha entrada enquanto desfruto do fumo qual pequena e subtil massagem à alma.
Elas atravessam a rua mas ficam a uns trinta metros, junto à estrada e param. Começa claramente uma despedida. Uma viria para o cais e a outra seguiria para o largo onde se apanhas as camionetas de carreira.
Acabam por dar dois beijos e afastam-se um pouco, mas ficam presas no olhar uma da outra e prolongam a conversa, como se houvesse algo que as impedisse de afastarem, como um elástico invisível que as puxa novamente uma para a outra. Continuam a conversa já bem próximas e falam assim, mais uns minutos.
Despedem-se novamente. Desta vez há um abraço, com uns beijos no rosto e separam-se novamente, mas não se conseguem afastar e voltam a mergulhar num abraço apertado, com os rostos encaixados nos ombros uma da outra, ficam assim uns instantes, levantam as cabeças, olham-se nos olhos e dão um beijo rápido, pleno de intensidade e desejo, separam os lábios, olham-se com um ar sério, absolutamente apaixonado, colam os lábios novamente com a urgência da sensação face a uma separação brevemente anunciada.
O beijo dura apenas uns segundos e quase ninguém que por ali passa repara, e os poucos que o fazem olham com algum desdém.
Elas separam o abraço, mas ficam de mãos dadas, trocam mais umas palavras e arrancam de mão dada em direcção à lateral do edifício onde há um intervalo até ao armazém próximo e uma passagem que leva à beira rio, por certo em busca de uma privacidade maior que lhes permita que aquele beijo possa ser tudo o que desejam. Só então reparam em mim, olhando-me curiosas. Eu olho-as com um sorriso suave e faço um breve aceno com a cabeça…
…talvez elas tenham percebido que não as olhava com lascividade, mas sim admirando a paixão que havia entre ambas, intensa e rara de encontrar. Talvez não tenham…
…não me importa realmente o que elas pensaram. Mas fiquei-lhes grato por ter presenciado uma chama tão intensa.
Não compreendo os que as olharam com desdém. Escândalo?
Escândalo seria o enorme esforço por matarem o que sentiam apenas por causa do que quem as rodeava poderia pensar…



La Divina

Quem me conhece, mas quem me conhece mesmo a sério, aquelas pouquíssimas pessoas que fazem parte da minha vida e que sabem, ou pelo menos fazem uma ideia mais aproximada de mim, sabem que existem algumas particularidades na minha personalidade.

Na verdade, acho que todas as personalidades tem particularidades. É isso que faz de nós únicos. A única questão é o quanto essas particularidades se desviam mais ou menos daquilo que foi estabelecido como padrão.

Por exemplo, no meu caso, ao contrário do que seria de esperar por alguns textos que estão aqui espalhados, sobretudo os mais antigos, e que relatam a minha visão de alguns episódios da minha vida (e é sempre a minha visão, e não um relato meramente factual do que aconteceu, e assim sendo os relatos estão cheios do que senti e do que pensei – e há sempre três lados para cada história; a minha visão, a dos outros e a realidade dos factos) que eu fosse um tipo charmoso, sedutor, encantador…
…mas não sou.

Não obstante, sei por experiência própria que um tipo normal e banal como eu pode muito bem passar por circunstâncias excepcionais…

…e tenho passado por algumas.

Mas isto tudo para dizer que uma dessas particularidades, que como eu dizia acima, podem parecer estranhas a quem me lê é o facto de eu olhar para o género feminino de uma maneira…

…diferente!

E com isto não afirmo que seja melhor ou pior, apenas diferente mesmo.

De facto, independentemente da mulher para que olho, das suas características físicas, seja ela uma “bombshell” ou um estafermo, não há em mim uma atracção sexual ou um desejo à partida. Há antes uma admiração profunda por aquilo que considero um poema em movimento. E é neste sentido que observo as mulheres que se cruzam comigo, que, claro, se se sentem observadas por mim não interpretam dessa maneira.

Não sei se já contei esta história por aqui, mas se não contei, faço-o agora. Há muitos anos atrás, quando ainda se podia fumar nas escadas dos edifícios públicos, estava eu, nos meus vinte e muitos e um tipo que devia estar nos seus cinquenta e poucos a queimar tempo e tabaco no patamar, quando passa uma moça, que eu conhecia já de vista.

Ela estava ali a trabalho e apresentava-se como tal, sapatos de salto alto, colans pretos colados a umas pernas extraordinariamente bem torneadas e que acabavam numa saia preta, formal mas muito justa e que começava quatro dedos acima do joelho, e seguia os seus contornos até à cintura delicada. Levava o casaco no braço e vestia uma camisa com riscas verticais que a faziam parecer ainda mais alta e mais esguia do que era. O cabelo muito encaracolado e loiro caia em cascata sobre os seus ombros e costas e fazia realçar a sua pele morena, bronzeada pelo sol, e ainda mais os seus olhos de um azul faiscante.

Ela passou no patamar e continuou a subir as escadas, vitima, por certo, das avarias frequentes dos elevadores daquele prédio antigo de Lisboa. Eu vi-a passar, atentamente, bem como o meu companheiro de circunstância.

Depois de ela ter passado, o homem volta-se para mim, com um sorriso matreiro, e diz:

-Aquilo é que era…

-Aquilo o quê? – perguntei eu já com o pensamento bem longe do ocorrido.

-Aquilo o quê? Eu já tive a sua idade, e uma brasa daquelas…

Percebi o ponto de vista dele, que não era difícil, de todo, de perceber.

Eu pensei um pouco no que lhe havia de dizer, e, por fim, respondi-lhe.

-Já ouviu falar no Louvre?

-No quê?

-No museu do Louvre, em Paris…

-Ah! Sim, claro.

-O Louvre está repleto de algumas das mais belas obras de arte feitas pelo génio da humanidade. Lá dentro está um quadro que eu acho, no mínimo, especial, e é a Mona Lisa, de Leonardo Da Vinci.

-E então?

-Então que acho o quadro fantástico, lindo, e sou capaz de perder horas só a admirá-lo. Mas sabe que mais? Nunca me passou pela cabeça ir com o quadro para a cama…

Não sei, francamente, pelo ar com que ficou, se a esta altura já terá percebido o que eu quis dizer.

Mas sendo esta a regra, claro, tem excepções…

…e por isso, deixo-vos fotos da mulher de quem eu disse um dia “esta gaja tem mesmo que ter muito mau feitio e ser intragável…” ao que me retorquiram “porquê?” ao que eu respondi “porque se não for, Deus é injusto…”









Sabes sempre a pouco…

É incrível como são sedutores os teus gemidos enquanto te lambo com suavidade, mantendo-te ali, no limiar do prazer, cativa da minha vontade, o quanto ouvir um ”oh, foda-se…” de frustração pode ser doce, sendo que a única frustração que gosto de saber em ti, saber que queres mais, mais forte, mais intenso, queres evadir-te, explodir e manter-te ali naquele limbo doce, explorar-te com um dedo, invadir-te, lubrificando-o e retirando-o em seguida, molhado, encharcado e massajar o ânus, humedecendo-o, lubrificando-o, preparando-o para ser invadido, como é tentador o gemido suave que se solta quando a minha língua e os meus lábios tocam o teu botão de rosa, antes de o meu dedo te invadir devagar e a língua voltar aonde estava antes, como é atraente o calor que exala de ti e me aquece quando colo finalmente os lábios e chupo avidamente levando-te a passar a barreira e sentir os teus orgasmos a chegarem em ondas sucessivas onde te inflamas e abrasas impulsionando as ancas ao meu encontro e ficas assim até ao limite da exaustão, quando já nem o consegues fazer e ficas simplesmente a apreciar a carícia e o prazer intenso, muito para além da reacção física, muito para lá dos limites conhecidos e como é incrível a tua rendição quando finalmente me tomas em ti, me recebes com uma suavidade incrível, pontuada pelas contracções que sinto também no entrecortar da tua respiração, único sinal visível desta suavidade violenta…
…assim como é incrível a forma como me derramo em ti…

Sabes...

…aquela sensação doce que fica depois de nos termos entregue, aquela paz que deixa um sorriso nos lábios e enche por dentro, aquela luz que chega longe, tão longe, que consegue iluminar até os cantos mais escuros e recônditos da alma, enquanto te aninhas a mim a ronronar como uma gata e revejo nos teus olhos todo o prazer que te dei e tu revês nos meus o que me deste e me levas de volta há uns instantes atrás e me fazes reviver mentalmente cada toque, cada suspiro, cada grito contido teu, o teu sabor enquanto te empurras de encontro aos meus lábios, esse sabor que eu poderia comparar ao mais divino dos néctares, à mais refinada das bebidos, ao mais potente afrodisíaco, mas que não posso, porque é teu, só teu e é incomparável, inolvidável, único, sublime, tão suave que apenas faz subir a intensidade do desejo, tão doce que é quase impossível parar de sorver, bem como a maneira como as tuas ancas ondulam enquanto te fazes penetrar por mim, a tortura doce enquanto adias o meu orgasmo e prolongas o teu fodendo-me devagar mas profundamente, a tuas respiração que se prende e solta num gemido de cada vez que o teu corpo vem de encontro ao meu, a maneira como adoro agarrar-te as ancas e ir ainda mais de encontro a ti…





…sabes?



As diferenças entre homens e mulheres!

LOJA DE MARIDOS:
Foi inaugurada em New York , The Husband Store, uma nova e incrível loja, onde as damas vão escolher um marido.
Na entrada, as clientes recebem instruções de como a loja funciona:
Você pode visitar a loja APENAS UMA VEZ!
São seis andares e os atributos dos maridos à venda melhoram à medida que você sobe os andares.
Mas há uma restrição: pode comprar o marido de sua escolha em um andar ou subir mais um.

MAS NÃO PODE DESCER, a não ser para sair da loja, diretamente para a rua.

Assim, uma dama foi até a loja para escolher um marido.

No primeiro andar, um cartaz na porta:

Andar 1 - Aqui todos os homens têm bons empregos.

Não se contentando, subiu mais um andar...

No segundo andar, o cartaz dizia:

Andar 2 - Aqui os homens têm bons empregos e adoram crianças.

No terceiro andar, o aviso dizia:

Andar 3 - Aqui os homens têm ótimos empregos, adoram crianças são todos bonitões.
"Uau!", ela disse, mas foi tentada e subiu mais um andar.

No andar seguinte, o aviso:
Andar 4 - Aqui os homens têm ótimos empregos, adoram crianças, são bonitos e adoram ajudar nos trabalhos domésticos.
"Ai, meu Deus", disse a mulher, mas continuou subindo.

No andar seguinte, o aviso:

Andar 5 - Aqui os homens têm ótimos empregos, adoram crianças, são bonitões, adoram ajudar nos trabalhos domésticos, e ainda são extremamente românticos.

Ela insistiu, subiu até o 6º andar e encontrou o seguinte aviso:

Andar 6 - Você é a visitante número 31.456.012 neste andar.
Não existem homens à venda aqui.

Este andar existe apenas para provar que as mulheres são impossíveis de agradar.

Obrigado por visitar a Loja de Maridos.


LOJA DE ESPOSAS:

Posteriormente, abriu uma loja do outro lado da rua, a Loja de Esposas, também com seis andares e idêntico regulamento para os compradores masculinos.

No 1º andar, mulheres que adoram fazer sexo.

No 2º andar, mulheres que adoram fazer sexo e são muito bonitas.

Os andares 3, 4, 5 e 6 nunca foram visitados...

Eutanásia - para reflectir - relato real de um homem

Ontem, eu e minha mulher estávamos sentados na sala, a falar das muitas coisas da vida.
Conversa séria.

Estávamos a falar de viver e morrer.

Então eu disse-lhe :

Nunca me deixes viver num estado vegetativo, dependendo de uma máquina e de líquidos. Se me vires nesse estado, desliga tudo o que me mantém vivo, ok?


Vocês acreditam que a filha da puta se levantou, desligou a televisão e deitou fora a cerveja que eu estava a beber ...?!?!?!

Só porque me apetece…

…colar a minha boca à tua, sentir o teu sabor, sentir o teu desejo, a tua respiração, o teu corpo colado ao meu enquanto num abraço solto deixo as minhas mãos vaguear ao longo de ti e começo, lentamente, mas com a urgência do desejo a retirar-te cada peça de roupa que me separa da tua pele, atirar-te para a cama, deitar-me por cima de ti e deixar o calor do teu corpo contrastar com o frio do ambiente, fazer a minha boca descer por ti, tocando-te ao de leve com os lábios, lambendo, chupando, mordendo, mergulhar para debaixo dos lençóis, cobrir-te, cobrir-nos, provar-te chupar-te, lamber-te, deliciar-me no teu sabor, comer-te, penetrar-te, primeiro apenas com um dedo, ao de leve, sentir a tua respiração a acelerar junto com a tua excitação, o teu corpo a ficar em brasa, juntar outro dedo, massajar aquele teu ponto secreto enquanto te chupo ao mesmo tempo, fazer-te gemer, primeiro baixinho, depois mais de forma incontida, não te deixar vir, ter-te à minha mercê, mas nunca parar, ir alternando intensidades até te saber à beira do colapso e então foder-te com firmeza, com os dedos, com a boca, coma língua que envolve o teu clítoris e os lábios que o chupam provando a mais doce e requintada das iguarias, fazer com que os gritos contidos sejam incontidos, fazer-te mergulhar no abandono, fazer-te vir nos meus dedos, deixá-los alagados enquanto te sorvo avidamente, enquanto o teu prazer evidente escorre de ti de forma tão abundante, enquanto vejo nos teus olhos que não estás ali, estas bem lá em cima, não parando e fazendo com que não pares, sentir os espasmos que percorrem o teu corpo no prazer que te dou e que me dás de volta, elevar-me, fazer-te provar o teu sabor da minha boca, da minha língua enquanto os meus dedos ainda massajam o teu ponto secreto, enquanto o teu corpo treme, não de frio, mas da intensidade que o percorre, tirar os dedos, entrar em ti de uma só vez, olhar-te nos olhos enquanto prendes a respiração e me cravas as tuas unhas nas costas, enquanto as tuas pernas me envolvem e me puxam para ti e fazem com que entre bem fundo, e foder-te com uma ânsia animal, com desejo, com paixão, com o amor que te tenho, sentir-te a cada momento, arrastar-te comigo, um orgasmo atrás do outro, num exercício de um controle quase impossível para mim e delicioso para ti, sair de cima de ti, ficar ajoelhado na cama e sentir a gula com que a tua boca se lança ao meu sexo, comendo-me, engolindo-me, chupando a glande ao mesmo tempo que a tua mão me masturba com suavidade, largares-me, ajoelhares-te a minha frente num convite explicito, agarrar-te pelas ancas e foder-te como se não houvesse amanhã, porque nunca sabemos se o haverá, e chegarmos os dois a um orgasmo pleno, fatigantemente realizador, absoluto, divino, sentir o mundo diluir-se na nossa paz, aninhar-te em mim e adormecer com um sorriso nos lábios…

Perguntáram-me à pouco...

...como é que eu definiria o que sinto pela minha Penelope...


...a resposta foi simples:

-É a unica mulher para quem eu nunca vou ter palavras que cheguem...



Tarde

Estava completamente distraído e tentar escrever qualquer coisa quando ela, como tantas vezes faz, se pôs ao meu lado.

Estava tão absorto no que fazia que nem me dei conta do barulho dos saltos no chão. Ela chegou e ficou, não me interrompeu ou incomodou, não me quebrou a concentração…

…apenas ficou ali, como quem espera.

A presença dela foi-se intensificando no meu espírito e, não vendo como continuar o que estava a fazer, dei-lhe atenção, finalmente, como que para lhe perguntar o que era.

Mas não perguntei.

Os botins creme de salto alto do qual saiam aquelas pernas de que eu tanto gosto envoltas por meias de ligas brancas encimadas por uma mini mini-saia de pregas com um padrão em xadrez preto e branco que estavam ao fundo do corpo coberto apenas por uma camisa de rede larga de pescador vermelha sob o qual se via claramente o soutien púrpura da triumph que lhe tinha oferecido pelo aniversário e que enquadrava todo o seu brilhante sorriso fez-me ficar completamente…

…mudo!

-O que é que achas? – perguntou ela como quem não quer a coisa.

-Que não vais ficar com isso vestido durante muito tempo. – respondi eu. Ela soltou uma gargalhada.

-Pois, é mais ou menos esse o objectivo.

Levantei-me, abracei-a, envolvi-a, beijei-a, acariciei-a, apalpei-a, e ela empurrou-me, agarrou-me com a mão, puxou-me, arrastou-me para o quarto, despiu-me a t-shirt enquanto fazia a língua subir lânguida pelo meu corpo, provocando, tentando, empurrou-me para a cama, desapertou-me o cinto, com os olhos nos meus, desapertou-me as calças com aquelas duas esmeraldas fixas nos meus olhos, tirou-mas provocadora, fez deslizar os meus boxers com o olhar guloso preso no meu sexo, e, sem pedir licença, satisfez a sua gula, lambeu-me, chupou-me, engoliu-me, fodeu-me com a boca, parou, pôs-se de pé, deu a volta à cama, levantou a saia revelando-me a sua nudez por debaixo, a sua cona macia e depilada, subiu para a cama, ajoelhou-se por cima de mim, fez descer o seu clítoris até aos meus lábios já sedentos, debruçou-se e continuou a satisfazer a sua fome do meu sexo à medida que me saciava a gula que tenho sempre por ela, fazendo-me prová-la, lambê-la, dando-me a sua excitação…

…o seu orgasmo que não tardou a chegar de forma avassaladora e que a percorreu como se a percorressem choques eléctricos enquanto os gemidos e gritos eram abafados pelo meu sexo que lhe enchia a boca por completo, até não se conter e se deixar cair em cima de mim como se uma onda de cansaço se abatesse, mas recompôs-se e atacou-me novamente com furia redobrada fazendo-me contrair e fazer um esforço hercúleo para não ter um orgasmo logo ali e ela, pressentindo isso mesmo, pára, levanta-se e faz-se enterrar pelo meu sexo até ao fundo de uma só vez, põe as mãos por cima do meu peito e…

…fode-me, profundamente, devagar, desfruta-me e faz-me desfrutá-la e deixa-se ficar à beira de outro orgasmo enquanto puxa o meu e engasga os gritos na garganta, sente-me a conter-me, crava os olhos nos meus e limita-se a dizer…

…“Vem-te para mim”…

…e eu solto-me e derramo-me nela…



Apetece...

Apetece-me entrar pelo teu gabinete adentro, em silencio, fechar as portas atrás de mim, sem tu sequer reparares, como nunca reparas, porque estás absorvida pelo que estás a fazer e quando estás concentrada…

Apetece-me dar a volta à secretária e olhar para o monitor carregado de números e letras e fórmulas e tretas…

Apetece-me pôr a mão no teu ombro enquanto me sento na secretária e tu nem ligas à minha presença…

Apetece-me deslizar a mão para dentro da tua camisa, pelo colarinho, fazendo com que finalmente dês por mim e digas um “tá quieto”…

Apetece-me não estar e fazer deslizar a mão por dentro do teu soutien, fazer a minha mão moldar-se ao teu peito e ouvir-te dizer “não sejas chato”…

Apetece-me ser chato e continuar as carícias que provocam rubor na tua face que é evidência daquilo que sentes por oposição ao olhar que me mandas e que diz “não vês que estou ocupada?” para te voltares novamente para o monitor e fingires que ainda estas concentrada naquelas torrentes de caracteres…

Apetece-me dar-te uma lambidela suave no pescoço seguida de uma mordidela enquanto te esforças por não esboçar reacção nenhuma…

Apetece-me largar-te, fazer a tua cadeira rodar, para ficares de frente para mim, tomar de assalto os teus lábios enquanto a minha mão desce para o meio das tuas pernas e sentir a tua humidade espalhada a tira de pano que a separa do teu sexo…

Apetece-me fazer-te subir a saia, afastar o tecido com a mão e fazer mergulhar a minha cabeça no teu sexo, provar-te, envolver o teu clítoris com a minha língua, chupar-te e sentir a tua rendição enquanto o telefone começa a tocar…

Apetece-me dizer-te “Atende!” enquanto continuo a lamber-te e a deliciar-me com o teu sabor, ouvir-te tentar fazer a voz mais profissional do mundo enquanto te lambo e senti as pernas tuas pernas a tremer na antecipação do orgasmo que se aproxima…

Apetece-me pegar em ti, mal acabas a chamada, levantar-te, sentar-te na secretária, desapertar as minhas calças, deixar que me agarres e que sejas tu a guiar-me para dentro de ti…

Apetece-me fazer-me deslizar ao longo de ti, devagar mas profundamente e sentir a tua respiração pesada e os gemidos e os gritos a ficarem presos na tua garganta por causa das tuas colegas da sala ao lado…

Apetece-me dizer-te ao ouvido “faz-me vir” enquanto sinto as tuas contracções e o teu orgasmo a chegar numa explosão incontida…

Apetece-me vir-me junto contigo e deixarmo-nos ficar os dois abraçados por uns breves momentos…

Apetece-me ver-te enquanto te recompões e voltas a pôr o teu ar profissional, como se nada se tivesse passado…

Apetece-me olhar para ti, de novo a tentares focar a tua atenção no monitor enquanto te pisco o olho e digo “Até logo.”…

Apeteces-me!

Agora!

Já!



Estou a caminho…



Um homem de palavra

A cena:
Ela, deitada no sofa, de frente para ele. Ele ajoelhado no chão, penetrando-a frenéticamente, ambos bem perto do orgásmo.
Ela: Ai, amor, apalpa-me...
Ele: Não, que eu disse ao teu marido que jamais te poria as mãos em cima...

Uma longa Viagem (Para Fábrica de Letras)

…e havia todo o entusiasmo, toda a doçura, toda a gula de te querer, de te provar, de te ter para mim, enquanto percorria o teu corpo suavemente, com o meu braço que te envolvia a fazer as pontas dos meus dedos deslizar na pele das tuas costas, suavemente, indolentemente, intemporalmente, sem que nada mais precisasse de ti do que aquele momento, enquanto sentia o cheiro do teu cabelo tão próximo de mim, a tua cabeça apoiada no meu ombro, olhos fechados, respiração suave, o teu braço atravessado no meu peito e a tua pele com aquela sensação quente, quase magnética e os meus dedos a percorrer-te de pólo a pólo, uma longa viagem porque lenta mas cheia de sensações, desde o teu cabelo que afago, massajando a tua cabeça ao de leve, descendo depois pelo teu pescoço, contornando o teu ombro, descendo pelo teu lado, roçando o teu seio desnudo que se pressiona contra a minha pele, percorrendo-te num semi-arco desenhado pelo alcance do me braço e que acaba ao fundo das tuas costas, na base da tua espinha e, incontida, ofereces-me os teus lábios molhados da tua saliva doce, fazes a tua língua dançar na minha, fazes-me sentir o pulsar do teu sexo contra a minha perna, fazes-me querer-te, desejar-te e viro-me para ti e abraço-te e beijo-te e sento o teu peito colar-se ao meu, a tua perna a passar por cima da minha, o teu sexo a oferecer-se-me despudorado, roçando no meu entumecido, e sinto o teu calor, a tua excitação húmida, o teu gemido e o meu braço puxa-te para mim, enquanto o outro desce até à tua nádega e te puxa para mim enquanto pressionamos o sexo um contra o outro, nos roçamos, nos sentimos, nos excitamos e a saliva se derrama de uma boca para a outra e a vontade aumenta ainda mais, e, num momento de pura impaciência nos fundimos, nos oferecemos um ao outro, e sinto o teu sexo deslizar ao longo do meu, devagar, pedaço a pedaço, como se eu fosse imenso, quebras o beijo, mordes o lábio, fazes força de olhos fechados, gemes mais, dás mais, queres mais, e no limite paras, deslizas em sentido contrário, devagar também para te empurrares para mim de seguida, com força, fazendo com que um espasmo de prazer suba pela minha espinha, como se fosse uma descarga eléctrica e agarro-te, não te deixo afastar, púbis coladas, enclausurado de livre vontade em ti, as bocas colam-se novamente, as mãos afagam e o pulsar do teu sexo no meu tolda-me os sentidos, a visão e sinto-me em ti, num universo muito para além da carne, mas é nesse momento, enquanto a carne se funde, que os espíritos encetam uma longa viagem em direcção ao êxtase e ao nirvana…



Para Fábrica de Letras



...mesmo, mesmo!

É verdade que estou um bocado arrasado, cansado…
…é lixado estar constipado em pleno verão e passar um dia com arrepios de frio quando toda a gente sua de calor.
Ainda assim, não consigo deixar de pensar no que me apetecia fazer-te cada vez que olho para ti. E apetecia-me fazer-te tanta coisa…
Apetecia-me dar-te um banho…
…de língua. Percorrer-te do corpo devagar, fazer-te cocegas, que ainda não te consegui tirar, e acho que não conseguirei.
Sei que há montanhas de memórias em mim, coisas loucas, outras que nem tanto, mas a verdade é que prefiro olhar para a frente. O olhar para trás só me ajuda a pôr tudo em perspectiva.

Estou aqui a escrever isto, enquanto ouço diálogos idiotas dos protagonistas de uma série acerca de vampiros e dou uma gargalhada quando ouço o protagonista afirmar que nasceu em 1805 em Baton Rouge no Louisiana. Olho para o tipo e não o acho muito parecido com o Brad Pitt. Ou por outro lado, também não acho o Brad Pitt parecido com ele. Esta idiotice quebrou o meu raciocínio…
…onde é que eu ia?

Ah! Um banho de língua. Sim, sem dúvida. Apetecia-me.
Apetecia-me lamber-te, pedaço a pedaço, sentir o sabor da tua pele até me sentir saciado.
Mas acho que nunca me vou saciar de ti.
Nem me apetece fazer amor contigo, para ser franco. Estou mesmo quebrado e febril. Mas apeteces-me. Apetece-me sentir o teu corpo contra o meu, a tua cabeça no meu ombro, a tua perna por cima das minhas, deitada de lado, como gostas tanto de estar, ao longo de mim.

Gosto mesmo que sejas parte da minha vida…

Omega

Eu quase adivinhava. Algo no meu intimo me dizia que nada voltaria a ser com antes a partir daquele dia.
Não é que os indícios não estivessem já lá, por isso não era difícil de adivinhar, não era propriamente um acto de clarividência. Era apenas o resultado de somar um mais um e chegar à conclusão que a soma dava dois.
Tínhamos vindo de alguns dias que passamos sozinhos e longe do mundo, durante os quais se passaram coisas maravilhosas, e outras que nem por isso. No entanto, acho que estávamos ambos abalados.
Estávamos em casa dela, tínhamos chegado a meio da tarde, cansados de uma viagem de cinco horas. Descansamos um pouco, jantamos, e eis que ela recebeu uma chamada da amiga a perguntar se, como tinha uns quantos dias de férias, poderia vir passá-los a Cascais, ao que ela respondeu prontamente e voluntariosamente que sim. A amiga chegaria no dia a seguir, junto com a filha.
Fomos beber café, demos uma volta pelo paredão até ao Estoril e voltamos.
Chegados a casa, abrimos o sofá e recostámo-nos lá a ver um pouco de televisão.
Estava calor e nós quase sem roupa. Ela, aninhada a mim, com o corpo ao longo do meu, cabeça em cima do meu ombro e envolvida pelo meu abraço, fazia-me festas no peito. Eu, com o braço que a envolvia, deslizava a mão ao longo do seu lado e acariciava-lhe o seio desnudo descendo depois até às suas nádegas…
…estávamos ambos em paz.
Mas a paz entre nós era algo de caótico, e uns leves mimos levavam sempre a outra coisa qualquer…
…e aqueles mimos levaram a beijos…
…e os beijos a carícias mais intensas…
…e as carícias a mais beijos…
…e a mão dela, que até então estava circunscrita ao meu peito começou a explorar mais e mais, até entrar por dentro dos meus boxers e me começar a masturbar com suavidade.
Ela adorava sentir-me a crescer na mão dela. Adorava ver, também, por isso puxou-me os boxers para baixo e continuou a acariciar-me, com suavidade, enquanto me sentia e me via a crescer até uma erecção plena.
Deu-me um beijo suave, leve e olhou-me com aqueles olhos felinos para me dizer:
-Adoro olhar para o teu caralho, sabias?
-Porquê? – Perguntei eu em resposta.
-Porque é, sei lá, bonito…
Ri-me da resposta dela, não a percebendo totalmente, mas apenas parcialmente. Também eu gostava de olhar para a cona dela, afastar-lhe os grandes lábios e contemplá-la quando estava bem excitada e observar o clítoris a pulsar de desejo…
Agarrou-me pela base, apertou e ficou a olhar para mim com um ar de miúda que olha para uma montra de doces…
…e depois não se conteve, desaninhou-se e desceu, levando a boca directamente à minha glande e chupando-me por um momento, para depois me começar a lamber com suavidade, ao longo de mim…
…e depois engoliu-se de uma só vez, fazendo-me deslizar ao longo da boca, até à garganta…
…adorava quando ela me fazia isto…
Não aguentei e puxei-a para cima de mim. Também eu me deliciava a lambê-la e ela sabia disso. Começamos a deliciar-nos num sessenta e nove sem pressas. Ela queria tanto desfrutar-me como eu queria desfrutá-la.
Nem sei quanto tempo estivemos assim, a torturarmo-nos com doçura, mas estivemos até ela me dizer:
-Hoje quero que te venhas na minha boca.
A minha resposta foi aumentar a intensidade e fazê-la ter, finalmente, um orgasmo na minha, que talvez por todo o tempo que tinha passado a torturá-la foi intensíssimo, e eu lambi-a, chupei-a, bebi-a até à última gota, até ela desfalecer em cima de mim.
-Queres o leitinho na tua boca? – Perguntei em seguida.
-Quero. – Afirmou ela atirando-se novamente ao meu caralho e fodendo-me com mestria.
-Eu dou-to, mas quero a tua coninha primeiro.
Parecia que era o que ela queria ouvir. Chegou-se para baixo, levantando-se e ficando de costas para mim, agarrou-me com a mão e, num único impulso, enterrou-me nela até ao fundo, tremeu, suspirou, e começou a foder-me com uma tesão louca.
-Foda-se, … - dizia - … que caralho bom!
E eu auxiliava, com as mão nas nádegas, ajudando-a a subir para ela se deixar cair novamente em seguida, enquanto me tentava controlar ao máximo para não ter um orgasmo logo ali. Queria continuar a senti-la, assim, a deslizar ao longo de mim, a engolir-me. Adorava quando era ela a foder-me desta maneira tão selvagem, pouco pudica, pouco condizente com aquilo que ela aparentava ser…
...e adorava os palavrões que ela soltava, apenas e só nestas alturas, porque noutras era uma senhora, uma verdadeira senhora. Só na cama se dava ao luxo de ser…
…puta!
Saiu de cima de mim.
-já tenho as penas cansadas amor. – Disse ela enquanto se punha de gatas ao meu lado. – Fodes-me como eu gosto?
Não respondi. Levantei-me, pus-me atrás dela, agarrei-a pelas ancas e encaixei-me todo nela, completamente, deixando-me ficar assim por um bocado. Ela agarrou uma das almofadas, abraçou-se a ela, enfiou lá a cara abafando o grito que dava pelo que sentia, não fosse a vizinha de cima reclamar novamente
…e veio-se assim, comigo quieto, bem enterrado nela, e pude sentir os espasmos da sua cona a querer provocar-me um orgasmo também, e aguentei o mais que pude, até não conseguir mais…
…e sai dela, a tentar controlar o meu corpo e o que sentia, com o meu cérebro a querer desligar, a sentir-me à beira do orgasmo…
…que consegui finalmente controlar, e respirei fundo, e voltei a entrar nela, mas fazendo apenas a minha glande entrar…
…ela queria mais…
…mas as minhas mão, nas suas ancas não deixaram, e comecei a fodê-la assim, devagar, só com a glande, praticamente só a fazer-me ondular levemente…
…ela gemia…
…escorria…
…e eu, finalmente, de uma só vez enterrei-me novamente para me retirar a seguir…
…ela não o esperava e o grito não foi abafado…
…e voltei ao inicio, a fazer-lhe isto novamente…
…e quando a sentia perto de um orgasmo, acelerava o ritmo, fodia-a com força, fazia-a vir-se…
…e depois voltava novamente ao mesmo…
Perdi completamente a noção do tempo, a noção de quantos orgasmos ela tinha tido, mas sei que a derrotei, que foi ela quem me pediu para parar.
-Amor, deves estar para lá de cansado…
E estava. Parecia que tinha acabado de tomar um banho no meu suor…
…ela também.
Obrigou-me a deitar, pôs-se no meio das minhas pernas, agarrou-me e, sem hipótese de resposta limitou-se a quase ordenar:
-E agora vais dar-me o que eu quero.
Voltando novamente a foder-me com a boca, com intensidade, sem me dar hipótese de eu me controlar…
…e eu tive o meu orgasmo que ela sorveu deliciada até à última gota.
Depois voltou a aninhar-se em mim. Ambos precisávamos de um banho mas era impossível levantarmo-nos.
Beijou-me, fazendo-me descobrir que não tinha engolido todo o meu sémen, e partilhava-o agora comigo. E quando o beijo acabou, não me lembro de mais nada que não o acordar com o sol a entrar pelas gretas do estore.
No dia a seguir a amiga chegou, com a filha, e instalaram-se. Passei essa noite em casa dela, mas nada se passou entre nós.
E depois, nunca mais estivemos juntos…



Suavia

Já de há muito tempo que a maneira come ela me olhava me perturbava profundamente. Tanto que eu não conseguia fixar os olhos nela por muito tempo.
O olhar dela parecia que me atravessava de um lado ao outro, que me tornava transparente…
Normalmente seria algo de que eu gostaria, mas neste caso, era complicado.
Ela, embora minha colega, era uma “tia” de Cascais, conhecia meio mundo, andava por festas, vestia roupas de marca, vivia numa vivenda, estava junta com um tipo bastante mais velho mas carregado de Papel, e que embora não fosse construtor civil, tinha o mesmo tipo de mentalidade, Mercedes enorme, ultimo modelo, topo de gama…
Já eu, um desgraçado, pé rapado, “metaleiro” com mau aspecto, numa relação que durava já há uns anos, e que tinha já terminado há bastante tempo embora nenhum dos dois se desse ao trabalho de o admitir. O que me mantinha na relação era o medo do que ela poderia fazer a ela própria, e ela usava esse medo para me manter por perto.
Tinha (e ainda tenho) um carinho enorme por ela, mas já seria impossível nós funcionarmos. Ela tinha uma depressão grave e recusava-se a procurar tratamento e eu, por causa da depressão dela, começava a cair numa.
No meio de todas as minhas dúvidas existenciais à altura, aparece esta criatura que, sem eu conseguir perceber o porquê, se dava ao trabalho de olhar para mim com esta intensidade absurda, como se eu valesse, de facto, alguma coisa. E eu tinha tanto a noção de que não valia que fugia ao seu olhar, não o enfrentava, tentava não lhe responder…
…mas incomodava-me.
Pensava eu, de mim para mim, que raio teria eu para oferecer a uma mulher que tinha, aparentemente, tudo?
Ouvia-a a falar dos sítios para onde ia de férias, da casa de fim-de-semana, da festa da “não-sei-quantas” que tinha sido um arraso…
…do X, do Y, do Z que tinham feito isto e aquilo…
A verdade é que estávamos situados em mundos completamente à parte, tão distantes quanto a distância que vai de um lado ao outro da via láctea. Aparentemente não havia qualquer ponto de contacto…
…a não ser o trabalho.
As conversas entre nós foram fluindo. Encontrávamo-nos no café, de manhã, antes de entrar ao serviço, ou à hora do almoço. Falávamos disto e daquilo…
…e quando eu comecei a reparar no olhar dela, comecei a ficar bastante desconfortável.
No entanto, da primeira vez que nos tínhamos cruzado, houve um momento. Uma pausa. Algo que não consigo definir com estas palavras escritas que são demasiado imperfeitas.
Quando entrei para aquele trabalho ela estava de férias. No dia em que voltou, entrou na sala onde costumava trabalhar e onde eu estava a fazer um pequeno favor a uma colega de sala dela. Conforme entrou o nosso olhar cruzou-se e posso jurar que o meu coração falhou uma batida. Foi algo ínfimo, imperceptível, mas que me fez uma das sensações mais docemente estranhas que tinha vivido até então.
Ela era simplesmente linda. E como se isso já não bastasse tinha uma postura, uma maneira de falar que me agradavam imenso. E embora fosse bastante “tia” detestava que a identificassem como tal.
Fomos ganhando alguma confiança, através de amigos comuns. Sim porque depois desse primeiro dia ela nem se dignava a reconhecer a minha presença num lado qualquer. Um pedido de ajuda dela a um colega que me pediu ajuda a mim para resolver o problema dela foi o nosso ponto de contacto. Fomos falando, fomo-nos conhecendo, até eu começar a reparar naquele olhar insistente.
Como é obvio, tudo isto durou, como sempre dura, até um dia…
Era algures no principio da primavera. Era uma sexta-feira em que, por causa de um feriado no dia anterior, quase ninguém tinha vindo trabalhar. O edifício estava praticamente deserto. Eu tinha vindo. Ela também.
Por volta do meio-dia ligou-me a perguntar se íamos almoçar juntos à cantina, no ultimo andar do edifício. Respondi-lhe que sim e combinamos a hora.
À hora indicada lá estava eu. Ela chegou logo em seguida. Fomos falando, comendo, descontraidamente, sem pressas…
…afinal, nem chefias tínhamos no edifício…
…mas não quisemos abusar. A seguir ao café decidimos ir até à minha sala fumar um cigarro à janela.
Estivemos, fumamos e a conversa continuava a fluir acerca de tudo, mas sobretudo de visões pessoais que tínhamos em relação ao mundo. E aquele olhar não se desviava de mim, e os seus  olhos sempre à procura dos meus e quando eu ganhava coragem para mergulhar nos olhos dela…
Acabei por me sentar na minha cadeira enquanto ela ficou à minha frente, encostada a uma outra secretária, hoje vazia, sempre a afirmar que tinha de ir mas a conversa a nunca acabar, e o olhar sempre presente.
A certa altura não me contive.
-Pá, tens que deixar de olhar assim para mim.
-Assim como? – Perguntou ela com um sorriso sacana, a fazer-se desentendida.
-Assim como olhas, com essa intensidade toda.
-Incomoda-te?
-Um bocadinho.
-Porquê?
Enfrentei o olhar dela, e respondi.
-Porque me fazes passar algumas coisas pela cabeça e não tarda nada tomo alguma atitude, e ainda faço alguma coisa…
-Como por exemplo?
Não respondi.
Levantei-me, com os meus olhos colados nos dela, contornei a minha secretária, fui direito a ela, agarrei-a pela cintura, colando o corpo dela ao meu, envolvi-a e respondi por fim – Isto! – enquanto mergulhava em direcção aos lábios dela tocando-a com suavidade, mas ao mesmo tempo como se aquele beijo sempre tivesse sido nosso, como se aquele momento fosse absolutamente inevitável na minha vida, e ela recebeu-me com doçura e sem receios, entregando-se a mim, fazendo a língua procurar a minha e ficámos ali, não sei quanto tempo, perdidos num abraço que parecia apenas pecar por tardio, urgente mas calmo, doce, uma doçura que eu intuía existir mas que até então me tinha escapado por completo.
Foi a primeira vez que me perdi por completo num simples beijo.
E quando o beijo acabou, separamo-nos, ela foi em direcção à porta, com um ar sereno, e saiu. Não dissemos uma palavra.
Senti-me absolutamente…
…sei lá…
…incrivelmente estúpido, talvez!
E agora?
Fiquei sem saber o que faria em relação a ela, nem em relação a mim. Sem saber o que fazer quando a visse outra vez. Mas foi ela que solucionou o problema. Umas duas horas depois, entrou-me pela sala, sem bater, veio direita a mim, beijou-me e saiu sorridente dizendo apenas “Até amanhã”…



Toque

Quando cheguei ao pé dela encontrei-a sentada no muro a contemplar a vastidão do oceano sem fim, na casa da Guia, em Cascais. Tive de me conter para não a agarrar logo ali, mas contive. Cumprimentámo-nos como bons amigos que éramos, naturalmente. Sentei-me no muro ao lado dela.
-Não queres beber ou café, ou assim? – Perguntou-me.
-Não, estou bem. Bebi há bocado, antes de sair de casa.
Ela sorriu. Sentia-a melancólica.
-Já viste esta paisagem?
-Já, é absolutamente espectacular.
-Gosto imenso de vir para aqui e ficar só a ver o mar, nestes dias calmos. Parece que o mundo não tem fim…
-Parece que a nossa alma não tem fim. – Disse-lhe eu.
Ela olhou para mim, surpreendida pela minha resposta. Ficou um bocado em silêncio, a contemplar a paisagem, e eu fiz-lhe companhia. Depois virou-se para mim, olhou-me nos olhos durante algum tempo, com um ar absolutamente sério e sereno.
-Queres ir até outro lado qualquer?
-Sim, podemos ir. Por mim, estou contigo.
-Então vamos.
Levantamo-nos, atravessamos a quinta e fomos ao encontro dos nossos carros. O dela estava mais próximo da entrada, pelo que ela me disse a direcção que ia tomar e que me esperava um pouco mais à frente, para sair dali da confusão dos estacionamentos. Eu entrei no meu carro, e segui na direcção indicada, à procura do carro dela. Não demorei a encontrá-la estacionada à beira da estrada, fiz-lhe sinais de luzes e ela arrancou à minha frente.
Passamos o Guincho e suspeitei que ela queria ir para a praia do abano. A minha suspeita era fundada e fundamentada pelo facto de já uma vez lá termos estado antes. Gostei imenso do sítio, sobretudo porque, talvez devido ao facto de o caminho para lá ser bastante difícil, nunca haver lá quase ninguém.
Chegados ao largo, ela estacionou de frente para o mar e eu estacionei do lado esquerdo do carro dela. Como o meu carro era maior, mais espaçoso, e o vento se fazia sentir com intensidade, ela limitou-se a passar do carro dela para o meu. Sentou-se, acendeu um cigarro, eu imitei-a, e ficamos em silêncio enquanto víamos o sol a reflectir no oceano à nossa frente e apreciávamos o fumo.
Quando acabamos os cigarros inclinei-me para ela, e tomei-a nos meus braços, colei a minha boca à dela num beijo cheio de saudade. Também desejo, também paixão, mas principalmente saudade. Um beijo que lhe afirmava o quanto eu a queria e o quanto tinha sentido a sua falta. Um beijo que foi respondido por ela, da mesma maneira, com a mesma intensidade, e tal como a tomei, ela entregou-se totalmente a mim.
Deu a volta no banco para se poder deitar ao meu colo, e ficamos assim, não sei quanto tempo, porque perdi completamente a noção, apenas a mimarmo-nos, a contemplarmo-nos, com beijos de mimo…
…mas cuja intensidade foi subindo…
…e as mão, ávidas, já deslizavam pelos corpos um do outro em busca de algo mais.
A minha mão, mais atrevida, deslizou por debaixo da camisola de lã que ela usava e procurou o seu seio, ainda coberto por uma camisola interior e pelo soutien. Não satisfeita, desentalou a camisola interior das calças de ganga para sentir a sua pele, deslizou novamente ao longo do corpo, introduziu-se por baixo do meio do soutien, levantou-o, libertando o seio, e repousou sobre este, sentindo-o, massajando-o…
…e os beijos tornaram-se ainda mais intensos e sentia o seu mamilo a endurecer contra a palma da minha mão…
Neste momento estava bem assim, não precisava de mais nada, só de lhe dar carinho. Sabia-me bem a envolvência. Mas é ela quem leva a sua mão à minha e a faz deslizar até ao seu ventre, faz com que eu comece a entrar por dentro das suas calças…
…e é ela quem as desaperta para que a minha mão entre e deslize por dentro da sua roupa interior, e procure o seu sexo…
…quebra o beijo com um suspiro longo quando a começo a tocar, a massajar o seu clítoris, e sinto a sua cona completamente molhada, excitada, sem duvida, por toda a envolvência que sentíamos. Depois leva a sua mão ao meu cinto, que desaperta com destreza, abre-me as calças, mete a mão por dentro delas, procura a abertura dos meus boxers e agarra-me, sentindo na sua mão a tesão que sentia já de encontro ao seu corpo, e masturba-me lentamente, provocando-me um calafrio ao longo da espinha, uma sensação doce…
A minha mão intensifica os movimentos. Quero dar-lhe prazer, fazê-la sentir no corpo o que me vai na alma, vou mais longe, penetro-a com um dedo, depois outro, enquanto a palma da minha mão contínua encostada ao seu clítoris, massajando-a…
…ela prende a respiração…
…solta depois um gemido enorme, abre os olhos, fixa-os nos meus, bem fundo, e posso ler neles tudo o que quero ler, vejo-a, sinto-a, quero-a, ela agarra o meu pescoço, puxa-me para ela, cola os lábios aos meus num beijo inexplicável…
…e os meus dedos fazem movimentos de vai vem na sua cona quente, tão quente que me parece impossível, e sinto o movimento das suas ancas a querer que eu vá mais fundo, fodo-a com doçura, com calma, levo-a devagar…
…não quero que o orgasmo dela seja apenas intenso, quero que seja pleno…
…e tudo no mundo à minha volta desaparece, à excepção da sensação dos seus lábios nos meus, da sua língua na minha e da sua cona molhada a envolver os meus dedos…
…e ela solta um gemido que parece arrancado das profundidades da sua alma e prende a respiração e sinto as suas contracções, sinto-a a vir-se, a dar-se…
…e depois sinto-a desfalecer, agarro-a contra mim.
Ficamos assim uns instantes, absolutamente quietos, abraçados.
Depois ela abre os olhos, olha para mim, depois volta-se para ver o meu caralho, sorri, ajeita-se no banco, fazendo com que a minha mão saísse de dentro dela, toca-me com a ponta da língua provando a pequena gota, fruto da excitação que havia entre nos, e depois, sem aviso, cola os lábios à minha glande e começa a fazer a boca deslizar ao longo de mim até me engolir quase por inteiro, arrancando-me um “foda-se” com o que me fez sentir.
Depois começou a foder-me, pura e simplesmente, com a boca, num movimento de vaivém calculado, milimétrico, querendo provocar prazer…
…e conseguindo, sentindo-me cada vem mais excitado…
-Vou-me vir… - Avisei-a quando já não aguentava mais, não sabendo qual seria a sua atitude. A atitude foi intensificar ainda mais a foda que me estava a proporcionar e fazer-me derramar o meu sémen na sua boca, que engoliu deliciada até à ultima gota.
Quando sentiu a minha tesão começar a desfalecer, largou-me finalmente e ajeitou-se para se deitar novamente ao meu colo, e beijamo-nos, longamente, apaixonadamente…
Ainda deitada ao meu colo, fumamos um cigarro enquanto víamos o sol a pôr-se e a deixar a água luminosa com reflexos de fogo.
E por fim, voltou ao seu carro e voltamos as nossas vidas…



...não é?


…e entrar no quarto, estares a arrumar roupa nas gavetas do guarda-fatos, sentada numa cadeira, e chegar-me a ti, baixar-me, beijar-te, levar a mão ao teu seio, massajar-te, pores-te de pé, sem que o beijo se quebre, colares-te a mim, eu fazer as minhas mãos deslizar por dentro do teu calção, das tuas cuequinhas, levá-la ao encontro do teu clítoris, sentir a tua cona molhada, passar o dedo ao longo dela, massajar-te, masturbar-te, sentir o teu beijo ficar mais ansioso, penetrar-te com um dedo, sentir-te a querer, levares a mão ao meu caralho, por cima da roupa, sentir-te a masturbar-me, largares-me só o tempo suficiente para meteres a mão por dentro dos meus boxers, continuares a masturbar-me, eu continuar a foder-te a cona molhada, a escorrer de gozo e de tesão, largar-te, baixar os meus boxers, sentares-te na cadeira, ver a tua boca a dirigir-se ansiosa ao meu caralho, sentir-te a foderes-me com a tua boca, parares para te ajoelhares no chão, engolires-me avidamente, foderes-me com vontade, agarrares-me e masturbares-me enquanto me engoles, chupares-me tão bem que quase me fazes fraquejar as pernas e perder o equilíbrio, fazeres-me vir assim, beberes-me, engolires-me, levantares-te, colares os lábios aos meus cheia do meu sabor enquanto eu levo a minha mão de volta à tua cona e te fodo com um dedo enquanto sinto o meu sabor da tua boca, foder-te, com o meu dedo com ânsia, quebrares o beijo para te agarrares a mim, com a respiração ofegante, sentir as tuas pernas a fraquejar, sentir o teu corpo com pequenas convulsões, enquanto te vens e encharcas a minha mão, abraçada a mim para não caíres, sentir-te acalmar, voltar ao beijo, separarmo-nos, voltares a arrumar a roupa enquanto eu volto a cozinha para beber o meu café e fumar um cigarro, ambos com um sorriso nos lábios, é tão bom…



Pausa no trabalho (Parte II - Conclusão)

Voltas umas horas depois, quando eu já tinha desistido de te esperar.
Entras pela porta com um olhar guloso, absolutamente felino, tal como o teu andar, chegas ao pé de mim e perguntas:
-Sabes o que fizeste? As consequências de há bocado?
-O que é que eu fiz? – Inquiri, quase temendo o fogo que se espalhava no teu olhar e que abrasava tudo o que tocava.
Agarras-me a mão, sem cerimónias e guia-la para debaixo do vestido, para o meio das tuas penas. Estas completamente encharcada.
-Vês? Achas que isto se faz?
-Acho que ainda se faz pior?
-Promessa?
-Constatação.
Colas os lábios aos meus, a tua língua invade a minha boca de forma faminta, da mesma forma que dois dos meus dedos te invadem e te fazem soltar um gemido absolutamente carregado de tesão.
Agarras novamente na minha mão, tira-la do sitio onde ela está tão bem, levas os dedos à tua boca, lambes avidamente, levas a tua mão ao meu cinto, desaperta-lo, despertas as calças, puxa-las para baixo deixando evidenciado o volume nos meus boxers do qual já não consegues tirar o olhar, puxas os boxers para baixo, tocas a minha tesão, masturbas-me devagar, sentindo-me na tua mão, acaricias-me, sinto a suavidade do teu toque, a maneira como me mimas…
-Pareces feliz por me ver… - dizes, agarrando-me com força, o que parece fazer-me aumentar ainda mais de tamanho.
-Imensamente feliz.
-Nota-se!
E aproximas-te da minha glande, tocas-lhe coma língua húmida e quente, colas os lábio só na ponta, como que para me torturar, mas não aguentas o que tu própria sentes, e sentes imensamente o que eu quero, prometido desde há umas horas atrás, e de uma vez só fazes-me deslizar para a tua boca, ao longo da tua língua, envolvendo-me o mais que podes, sugando com suavidade, apertando-me o caralho entra a língua e o palato, enches-me de sensações, agarro-te o cabelo, massajo a tua cabeça, acompanho os movimentos enquanto me fodes suavemente com a tua boca, vibro com a sensação, ao mesmo tempo que reúno esforços para me conter, para não inundar a tua boca, embora o queira fazer ao ponto de deixar de pensar e só sentir, e tu sabe-lo, e sentes na tua boca.
Paras, levantas-te, sentas-te na secretária, puxas-me para o meio das tuas pernas, eu faço um esforço sobre-humano para não entrar em ti, colo o meu sexo ao teu, faço o meu caralho deslizar na tua nona encharcada, foço pressão contra o teu clítoris e apeteces-me…
…tanto…
…mas tanto…
-Mete… - pedes languidamente.
Não acedo ao teu desejo e continuo.
-Mete… - insistes, mas eu continuo a não o fazer.
-Fode-me. – Ordenas imperiosamente, e eu acedo a tua ordem e entro em ti, todo, de uma só vez, sem contemplações, deslizo ao longo da tua cona inundada mas apertada, fundo, colando as nossas púbis, deixando-me ficar dentro de ti, provocando-te um grito que é um misto de dor, paixão e tesão, sinto a tua cona a dilatar para me albergar, sinto a tua respiração entrecortada, tremes, expiras finalmente, gemes…
-Foda-se…
…dizes baixinho, a tua cona contrai-se à volta do meu caralho, massaja-o, como se o quisesse deglutir, comer, gemes ainda mais, pulsas e vens-te e eu deleito-me com o teu orgasmo, saio quase todo, volto a entrar com ânsia de ti, com a tesão acumulada da espera e fodo-te, de forma animalesca, quero que me sintas inteiro em ti, deliro com a tua cona, com os teus sons de prazer, quero vir-me contigo e em ti, entro em ti o mais que posso a cada movimento, sinto-te, sei que o teu orgasmo chega galopante e…
…acompanho-te…
…venho-me copiosamente dentro de ti…
…e quando acabo, ajoelho-me aos teus pés, lambo-te, limpo-te, sugo-te até teres um novo orgasmo contorcendo-te em cima da secretária, e levo, por fim, a minha boca à tua carregada com o sabor de ambos.
Descansamos um pouco lado a lado a tu teres tensões de te erguer.
-Tenho de ir… - dizes com pena na voz.
-Eu sei, mas espera.
Pego no fio dental, faço-o deslizar ao longo das tuas pernas até onde posso. Depois, tu pões-te de pé e eu acabo de te o vestir.
-Uma promessa é uma promessa. – Digo-te com um piscar de olho.
-Sim, … - respondes tu - …e tu cumpres sempre as tuas…



Pausa no trabalho

Ficas parada à porta a olhar para mim com um sorriso.
Esperava-te na incerteza. Virias ou não?
A tua presença é por si só uma confirmação. Sorrio-te.
Avanças com uma falsa calma em direcção a mim. A aparência apenas é traída pelo leve tremor nas mãos que não consegues disfarçar. Dás a volta à secretária.
Eu largo o que estou a fazer, levanto-me da cadeira, recebo-te com um abraço, os meus olhos mergulham nos teus e depois, fecho-os à medida que mergulho em ti e nos fundimos num beijo desejado.
As nossas línguas procuram-se, tocam-se, envolvem-se…
O meu braço direito fica a envolver-te, a segurar-te firmemente contra mim, como se tivesse medo de que te quisesses afastar, mas a minha mão esquerda desliza pelas tuas costas com suavidade, sobe pelo teu lado, procura o teu seio, toca-o ao de leve, por cima da roupa, massaja-o, massaja-o, procura sentir a tua excitação, sentir se queres…
…o teu beijo torna-se mais dedicado, mais voraz ao meu toque, passas o braço por detrás do meu pescoço puxando-me para ti, o teu corpo cola-se mais ao meu…
…queres, inequivocamente!
Eu também.
A minha mão desce pelo teu lado, pelos contornos do teu corpo, sinto-te na ponta dos dedos, passo pela tua nádega, forço a tua perna a subir, deixando-te apoiada apenas num pé, deslizo ao longo da tua perna, até ao joelho, sentindo-te…
…envolvendo-te…
A mão sobe ao longo da perna, mas desliza para debaixo do teu vestido, procurando mais de ti, repousando por sobre o tecido que cobre o teu sexo, fazendo pressão…
…tu gemes…
A tua perna fraqueja e agarras-te mais a mim para não perderes o equilíbrio. Eu amparo-te, seguro-te.
Desvio o tecido, passo os dedos ao longo da tua cona que está ansiosa, pronta, molhada, sinal da tesão que sentes. Masturbo-te e tu quebras finalmente o beijo por causa dos gemidos que não consegues conter. Eu beijo-te o pescoço e os ombros que tu me ofereces para eu provar…
Mas eu quero provar muito mais. Sinto-te perto de um orgasmo, e por isso, paro, deixando-te com um olhar desconcertado. Depois, ajoelho-me aos teus pés, faço as mãos subir pelas tuas pernas e o mais delicadamente que posso faço descer o fio dental que vejo finalmente. Levantas um pé de cada vez, para te poderes desembaraçar dele, e eu pouso-o na secretária. Levanto-te o vestido, olhando para a tua cona molhada, desejosa de mais atenção que um simples olhar.
Levanto-te, sento-te na secretária, sento-me eu na cadeira giratória, mergulho no meio das tuas pernas, toco-te ao de leve com a minha língua, sentindo o teu sabor agridoce, gemes de aceitação, agarras-me na cabeça, puxas-me para ti, faço deslizar a língua ao longo dos teus lábios, faço-a mergulhar em ti, gósto, preenches-me com o teu sabor, subo, colo o meus lábios à volta do teu clítoris, sorvo-o, toco-lhe com a língua, sinto-te a chegar ao ponto a que te quero levar, fustigo-te com a minha língua espalmada enquanto te chupo, quero-te, as tuas ancas impulsionam-te contra a minha boca, a tua cona pulsa, contrai-se num ritmo que a minha língua acompanha, tentas conter o grito na tua garganta, prende-lo, abandonas-te, explodes, vens-te inundando-me a boca com teu prazer e eu acompanho-te sorvendo-te deleitado e sem quaisquer intenções de parar até te sentir a desfalecer deitada de costas sobre a secretária e o teu corpo a voltar à acalmar.
Levanto-me, levo a minha boca à tua, dou-te o sabor do teu orgasmo.
Depois, deixo-me cair na cadeira e espero-te.
Ergues-te com um ar absolutamente satisfeito e radiante, sais de cima da cadeira, ajeitas o vestido e falas finalmente:
-Agora tenho de ir, mas isto não vai ficar só por aqui.
Agarro no teu fio dental, que ainda está em cima da secretária. Estendes a mão para que eu te o dê, mas eu recolho a mão e a peça de roupa.
-Até tu voltares, fico-te com isto refém. Fui eu que te o despi, e sou eu que te o vou voltar a vestir.
Sorris, compões-te e sais.
Eu volto ao que estava a fazer, embora esteja completamente desconcentrado. Apenas consigo pensar no momento em que vais voltar a entrar pela porta…



Sábado (parte II - Conclusão)

Passo o meu braço esquerdo por cima dos seus ombros e por trás do seu pescoço, abraçando-a e servindo-lhe de almofada, e ao mesmo tempo deslizo a minha mão por dentro da camisa e do soutien levando a ponta dos dedos ao encontro do seu mamilo entumecido.
Ela continua de olhos pregados no ecrã, a sua mão em movimentos circulares sobre o clítoris, a respiração a tornar-se mais profunda, a excitação aumenta, a sua face afogueada, as suas ancas a não conterem os movimentos…
Embora se toque com calma, sei que está perto de um orgasmo. Adoro senti-la assim, neste ponto.
Quero-a.
Desvio-lhe a atenção do filme por uns instantes e acaricio a sua língua macia com a minha. Ela cola os lábios aos meus sofregamente, numa demonstração da tesão que está a sentir, respira fundo, geme, abandona-se e finalmente explode, o corpo treme, goza…
O beijo acaba, o corpo sossega. Vejo a sua mão molhada com o seu gozo e não me contenho. Tiro o braço de trás dela, deslizo no sofá, até ao chão, ajoelho-me à sua frente, faço a minha língua deslizar nela, debaixo para cima, desde o ânus até ao clítoris, penetrando-a o mais profundamente que posso, enchendo a minha língua com o seu sabor e com o seu gozo, deslizo ao longo do seu corpo, colo a minha boca à dela oferecendo-lhe o seu sabor, que ela toma avidamente, com sofreguidão.
Depois desço e continuo a prová-la delicadamente, a sorve-la, como se de uma iguaria requintada se tratasse…
…adoro sentir o seu aroma a invadir-me…
…o seu sabor a deliciar-me…
Espalmo a minha língua sobre o seu clítoris e massacro-a na ânsia de mais que não se faz esperar. Agarra-me a cabeça e impulsiona-se contra a minha boca e dá-me o seu gozo novamente. Quando a sinto acalmar, acalmo também as minhas investidas, mas não paro.
No ecrã duas mulheres lindíssimas satisfazem-se num sessenta e nova lânguido e lento. Os olhos dela continuam lá. Eu toco-a apenas com a ponta da língua, suavemente, lentamente, nunca acelerando, frustrando-a quando ela quer acelerar…
…levo-a à beira do orgasmo e paro, negando-lhe o prazer que ela quer sentir novamente. Faco-o repetidas vezes. Adoro fazê-lo. Adoro quando me olha com os olhos carregados de tesão, gozo, prazer, frustração e raiva…
-Foda-se… - diz ela, frustrada de cada vez que eu lhe nego o prazer. Olho-a com um sorriso e volto ao ataque de cada vez. Quero que ela se venha…
…quando eu quiser, nos meus termos…
…mas quero que ela aprecie cada momento antes de lá chegar!
E, quando acho que chegou a altura, colo os meus lábios ao clítoris sorvo-o desenho intrincados arabescos no seu clítoris e faço-a ficar…
…incandescente!
E ela vem-se, abundantemente, longamente, entre gemidos e gritos que se espalham pelo prédio, sons de puro êxtase, que ela tenta abafar cobrindo-se com uma almofada…
…e o orgasmo dura e inunda-me a boca e o palato e sabe-me divinalmente bem…
…e levanto-me, ponho-me de pé, e ela atira-se aos meus boxers, fá-los descer ao longo das minhas pernas, e ainda eles não estão no chão já a sua boca se faz deslizar ao longo do meu caralho que ela tenta engolir…
…e assim que me desenvencilha da peça de roupa, agarra-me e masturba-me enquanto me fode com a boca e sente a minha tesão…
…e sentindo-me assim, pleno, com uma urgência e um olhar de quase loucura, deixa-se cair para trás no sofá, puxa-me com a mão e faz-se penetrar…
…mas apenas lhe concedo uma pequena parte de mim, espero…
-Mais. – pede, ordena ela.
Faço-me deslizar um pouco mais.
-MAIS. TUDO!
E eu, de uma só vez, mas ainda assim com calma, faço-me deslizar por inteiro ao longo dela, sentindo a sua cona dilatar-se com a minha entrada, apertar-me, habituar-se a mim, massajar-me…
…deixo-me ficar inteiro dentro dela por um bocado, só a sentir as suas contracções, colo o meu corpo ao seu, beijo-a, livro-a da camisa, do soutien, levo a minha boca aos seus mamilos, lambo-os…
…sinto-a febril, debaixo de mim.
Deixo-me deslizar devagar até sair dela, e entro em seguida de rompante de uma só vez, bem fundo, até colar as nossas púbis, e ela contorce-se, e geme, e prende a respiração…
…e repito o processo uma e outra e outra vez, sempre com calma, sempre a tentar controlar-me, controlar-nos.
O orgasmo dela torna-se inevitável, o meu próximo, mas quero adiá-lo.
Paro.
Deixo-a foder-me à sua vontade e ela, qual égua com o freio tomado num galope descontrolado, abandona-se ao animal que tem dentro e faz-se deslizar em mim profundamente, com força, freneticamente, quase me fazendo perder a razão também…
…e sinto as suas contracções e vejo o prazer dela, que é o nosso…
Finalmente ela acalma novamente e eu volto ao que estava a fazer, já mais controlado. Agora sou eu que a fodo, como eu gosto, a fazer-me deslizar por inteiro, a gozar a sua textura…
…ela deixa-se ficar, exausta, completamente à minha mercê…
…com eu gosto de a ter…
E desta vez sou eu que me abandono à medida que a sinto a querer cada vez mais…
…levo-a e deixo-me levar…
…até acabarmos num gozo conjunto, forte e intenso…
…inundo-a por completo, apago, abandono-me, venho-me…
…e quando acabo, sentindo-a a querer ainda mais, saio dela, levo novamente a boca à sua cona onde nos provo, acarinho-a até que ela acalme, e quando finalmente acontece, levo a minha boca à dela, que nos prova com gulodice, lambendo-me a língua, os lábios, a face.
Finalmente sossegamos exaustos, com o filme praticamente no fim, mas a sensação de que apenas uns breves minutos teriam passado.
Quando recobro finalmente algumas forças, levanto-me, vou até à banheira onde me limito a passar o chuveiro por cima da pele para tirar o suor que escorre, volto à cozinha.
Preparo um refresco de groselha. Apetece-me algo doce.
Fico à janela a fumar um cigarro.
Ela vem por detrás de mim, abraça-me, beija-me as costas.
-Ficas desde já a saber que estás proibida de sair assim à rua, senão eu não me responsabilizo… - digo-lhe.
Ela ri-se à gargalhada, sabendo que apenas a elogio.
-Vou-me deitar… - Acaba por me dizer.
-Vai. Eu é só acabar o cigarro e já lá vou.
Olho para o relógio…
Acho absolutamente incrível o quanto o tempo é relativo. Às vezes pode-se viver a eternidade num minuto…